LEO: Ser
swinger é um "estilo de vida"?
Ksal Wet: Definitivamente sim. Outro dia lemos um texto com um teste para avaliar se você é ou não
swinguer. Achamos
hilário que passamos com louvor ao teste!
Ser
swinger é um estilo de vida, não um meio de vida. Há casais que confundem as coisas. É um estilo de vida porque você passa a pensar seu dia-a-dia de forma diferente, você tem amigos do meio, conversa com eles com
freqüência, frequenta sites, blogs do meio. Você passa a ser parte deste mundo.
O
swing muda algumas formas pré-concebidas de encarar sua sexualidade e o próprio conceito de fidelidade e confiança. Explorar suas fantasias com liberdade não é algo tão simples quanto deveria ser em uma sociedade dita civilizada.
Muitas vezes chegamos em casa e tudo o que queremos é ficar
juntinhos, vendo TV, tomando um café gostoso. Sem outros, passando longe da caixa de email e do
MSN. É muito importante separar o casamento, os momentos a dois, deste estilo de vida.
LEO: O que “rola” nesse mundo do
swing? Conta pra gente como funciona a "tribo" dos
swingers?
Ksal Wet: De tudo! De churrascos no domingo, a idas a praia de nudismo com a família, passeios no
shopping, até orgias dignas de filmes do John
Stagliano. Engana-se quem pensa que o meio é apenas e tão somente sexo o tempo inteiro. Existem casais e existem momentos em que procura-se ter mais ou menos intimidade. Um clube de
swing, por exemplo, são experimentos
antropológicos fascinantes de presenciar! Casais absolutamente normais, sem qualquer distinção dos casais de uma boate “normal”, com uma possível
exceção as roupas das mulheres um pouco mais ousadas, entram para uma balada a primeira vista semelhante em tudo a qualquer outra balada. Passados minutos lá dentro é possível perceber movimentos novos, beijos um pouco mais intensos, uma mão aqui, outra ali, uma blusa levantando-se, e a festa começa.
Mas não uma orgia desenfreada, com todos os casais comendo-se no meio do salão. Há regras de postura, regras de conduta. A abordagem a um casal, a rápida explicação (muitas vezes até visual, na troca de olhares), do que pode e o que não pode, por vezes ocorre um bate-papo rápido, às vezes vai-se
direto para um reservado – tudo depende do tesão e da fantasia de cada um para a noite. Muitos casais, muitos mesmo, vão apenas para observar, apreciar o movimento dos corpos, o clima de sexo no ar e voltam para casa, extasiados, loucos por um delicioso sexo a dois.
Swingueiros são pessoas normais, trabalham, vivem, criam seus filhos. Você provavelmente trabalha ao lado de um
swingueiro, esbarra na fila do caixa do
supermercado ao lado de um casal que vai para uma festa de
swing, sem jamais suspeitar.
Swingueiros são pessoas com desejo de
compartilhar sua sexualidade com outras pessoas e casais, pessoas que acreditam que o conceito de fidelidade, traição e confiança no parceiro vão além das linhas estabelecidas pela sociedade. Não há traição quando há confiança e respeito. Aqui vale um tema
polêmico: amor e sexo são coisas absolutamente distintas. Há amor sem sexo, e sexo sem amor.
Vivemos numa sociedade que
cultua o sexo romântico, entre duas pessoas apaixonadas e que pulverizou nosso inconsciente como sendo este o modelo de sexualidade “normal”. É anormal ter prazer ao ter mais de um parceiro na mesma cama? É anormal excitar-se ao ver sua esposa, ou seu marido, tendo prazer genuíno com outra pessoa? Isto é traição?
Nós acreditamos que não. Traição é ir contra algo previamente estabelecido, contra as regras não-ditas da relação (e inclusive das ditas). Sr.
Wet: “Eu consinto que minha esposa chupe outro cara na minha frente, se no calor do momento ela assim o desejar”. Sra.
Wet: “Assim como eu consinto que ele coma outra mulher na minha frente, sem problemas. E eu ainda vou participar e tirar casquinha dela...rsrsr...”. E isto não faz de nós infiéis.
É preciso entender que para nós o sexo não é limitado por este modelo social imposto. Para nós o sexo é uma expressão de prazer, é algo delicioso e que deve ser aproveitado. Se existem coisas que não gostamos? Claro que sim! E respeitamos quem as gosta. Cada um, cada casal, cada indivíduo tem suas limitações, seus próprios gostos, seus próprios traumas e fantasmas. Assim como tem seus interesses e
predileções.
É preciso respeitar, porém é preciso cuidado, em quem procura o
swing como forma de
experimentar prazeres diferentes, que estão faltando na relação. Um casamento jamais será salvo no
swing (se houve algum, entre em
contato!). Simplesmente porque é difícil resolver questões privadas, íntimas, entre desconhecidos. Um casal pode sim encontrar-se, descobrir-se
swinguer, e juntos tamparem uma lacuna de suas vidas – isto sim. Mas é algo completamente diferente de um casal cuja relação esfriou, em cuja relação não há mais desejo, não há mais fogo, e que no
swing encontra meios de ter sexo com outras pessoas – quase que como uma fuga à traição “tradicional”. Isto é perigoso, e
faltamente levará ao término desta relação. E é algo absolutamente diferente de sair a dois, encontrar-se com outro casal, irem os quatro para a cama,
transarem, gozarem, irem para suas casas e no dia seguinte lembrarem e
compartilharem juntos a noite do ponto de vista de cada um – e ficarem loucos por repetir a dose.
Pode soar paradoxal, mas gozar é algo relativamente simples. Um dia seguinte com vontade de quero mais nem sempre é tão simples...
"Traição é ir contra algo previamente estabelecido, contra as regras não-ditas da relação (e inclusive das ditas). Sr.Wet: “Eu consinto que minha esposa chupe outro cara na minha frente, se no calor do momento ela assim o desejar”. Sra.Wet: “Assim como eu consinto que ele coma outra mulher na minha frente, sem problemas. E eu ainda vou participar e tirar casquinha dela...rsrsr...”. E isto não faz de nós infiéis."
LEO: Qual e o limite no
swing?
Ksal Wet: “O combinado não sai caro”. Este é o limite do
swing. O diálogo, o respeito e conhecimento prévio dos desejos e limites de cada um é pressuposto para participar e envolver-se em qualquer sociedade. E dentro do
swing não é diferente.
LEO: Vocês gostam de meninos e meninas? Separados ou tudo junto e misturado?
Ksal Wet: Gostamos de meninas para ambos, e meninos para ela. Buscamos casais, que queiram
bi-feminino, sexo no mesmo ambiente e troca de casais. Para tudo, sintonia e afinidade são fundamentais, e como diz um casal amigo (e concordamos)
inteligência é afrodisíaca (vale o parêntese,
inteligência não é
sinônimo de
QI, mas sim de afinidade intelectual).
"Swingueiros são pessoas normais, trabalham, vivem, criam seus filhos. Você provavelmente trabalha ao lado de um swingueiro, esbarra na fila do caixa do supermercado ao lado de um casal que vai para uma festa de swing, sem jamais suspeitar."
LEO: Blog mexe com o
imaginarium dos seus leitores?...Vocês recebem muitas “cantadas”, convites, propostas "
calientes"?
Ksal Wet: Acreditamos que mexe sim, porque mexe com nossa imaginação acompanhar as fantasias e realizações de outros casais. Outro dia lemos de um casal que fez uma festa entre seis pessoas! Uma delícia!!
Rsrsrs... Ficamos imaginando, fantasiando, tentando entender como foi para cada um. Assim como ocorre em nosso blog.
Recebemos sim muitas propostas, e um sem fim ainda maior de
contatos. Há um grande carinho do pessoal do meio. Não somos experientes, como comentamos, em 2009 perdemos o “
cabacinho”, e agora em 2011 é que resolvemos colocar o blog no ar, e deixar as coisas acontecerem.
É muito gostoso receber um email com proposta de outro casal do meio, assim como é gostoso ler um comentário no blog elogiando determinada foto, determinado texto.
Faz valer todo o esforço que têm-se para manter um blog – quem tem sabe bem como dá trabalho, mesmo sendo muito gostoso.
LEO: Já aconteceu algo que não rolou legal, que pegou mal.
Ksal Wet: Uma vez estávamos no
swing, e eu (Sra.
Wet) estava com uma mulher que chamou-me a atenção por ter seios muito “volumosos” (mas
muuuuito volumosos..
rsrsrs). Ela era alta, e eu como sou
baixinha ficava
exatamente nos peitos dela. O Sr.
Wet havia bebido um pouco além da cota, e como eu já estava nos seios dela, ele acabou passando a mão neles também. O marido não gostou, o dono da casa estava por perto, e após sinceras e honestas desculpas o caso foi resolvido. Mas serviu-nos como um grande alerta – e serve de alerta para quem nos lê e interessa-se pelo mundo do
swing. Sempre, absolutamente sempre, deve-se conversar antes sobre o que pode e o que não pode. Aprendemos ali o valor desta regra.
LEO: Já aconteceu algo engraçado?
Ksal Wet: A mais divertida foi quando estávamos jantando em um
barzinho com um casal, conversando a respeito de
swing,
bi-feminino, sexo liberal, fantasias e realizações, falávamos dos blogs, sites e de tudo o mais. E para nossa surpresa a mesa ao lado estava parada, estática, ouvindo nossa conversa! Foi impossível não empolgar-nos na conversa para deixá-los ainda mais malucos. Era
hilário acompanhar os
cutucões, as
risadas, os olhares de espanto, admiração, e sem dúvida de “também quero!!”
LEO: Depois dessa "
Swingueira" toda, o “papai - mamãe” ainda tem graça? "O pau de casa é que dá comida boa"?
Ksal Wet: É claro que sim! E as coisas ficam ainda melhores!!! Quando você vê seu cônjuge numa situação como esta, ou melhor, quando você percebe que tem seus desejos e quer explorá-los, e vê que seu cônjuge também tem seus próprios desejos e os deseja experimentar, você passa a admirar seu cônjuge, passa a cobiçar, a desejar ter aquela pessoa com você, passa a desejar satisfazer sexualmente aquela pessoa – e quando vocês estão a dois, em casa, numa terça-feira chuvosa, as trepadas tornam-se muito mais safadas e intensas do que uma noite de orgia. Assim como um abraço num domingo a tarde, enrolados no sofá, longe da TV, ouvindo sua trilha sonora preferida, tem outro significado. O significado de “meu amor”, de “minha esposa”, “meu marido”, passa a ter outro peso. Aquelas coisas, aqueles detalhes que são apenas do casal passam a ter outro valor, um peso muito mais profundo, muito mais íntimo.
LEO: Já rolou ciúmes ou mal estar com outro casal, tipo - esposas inseguras?
Ksal Wet: Não aconteceu e esperamos que nunca aconteça. Buscamos com calma, observamos muito a conduta do casal nas conversas que antecedem qualquer encontro. Se não rolar segurança, não vamos adiante. Não temos pressa em encontrar um casal e procuramos casais em relacionamentos estáveis, certos do que estão fazendo.
Como dizem que Marilyn (a Monroe) disse “O sexo faz parte da natureza. Eu só sigo a natureza.”.
LEO: Uma fantasia...
Ksal Wet: Nossa, vááárias! Talvez nossa maior fantasia é a de ter um, ou dois casais “fixos”. Termos aquela liberdade de visitar, sair para jantar e terminar a noite na cama, os quatro, os seis. Sem pressões, sem cobranças. E se a noite terminar sem sexo, ter aquela gostosa sensação de ter tido uma grande noite entre amigos.
E aí entram tooodas as fantasias possíveis entre quatro paredes que a imaginação pode contabilizar. Ménage, DP, fotos, filmes, chantili, algemas, fotos na rua, banheiros femininos de balada... A lista é interminável!!
Algo recente, mas que temos alimentado em nossos momentos “normais” são as fotografias. Somos apaixonados pela produção e por tudo que envolve fotografia, e temos tido grande desejo em fotografar um casal. Fotos eróticos, com estilo. Do sensual ao erótico. Do sutil ao explícito. E claro, deixar a câmera no tripé enquanto fotos de mais de um casal são registradas, rsrs...
"Absolutamente nada contra sexo-com-estranhos (isto está em nossa lista Coisas para Fazer Antes de Morrer), mas sexo com um casal amigo é garantia de segurança, prazer e ótimas lembranças."
LEO: A melhor troca de casais foi...
Ksal Wet: É difícil elencar a melhor, cada casal, cada pessoa tem jeito de ser, de agir. E cada noite tem seus momentos bons, e seus momentos ótimos, rsrsrs...
A grande delícia de qualquer noite é a intimidade e afinidade que procuramos ter com o casal antes de irmos para a cama. Deve haver segurança, respeito. Buscamos aquela troca de olhares de quem compartilha confidências, de quem está próximo a um amigo. Absolutamente nada contra sexo-com-estranhos (isto está em nossa lista Coisas para Fazer Antes de Morrer), mas sexo com um casal amigo é garantia de segurança, prazer e ótimas lembranças.
Sendo assim, podemos dizer que a melhor é sempre a última – as lembranças ainda recentes, e o gostinho de quero mais aumentando...
LEO: Um lugar diferente que vocês fizeram Swing.
Ksal Wet: No colégio, ainda no segundo-grau... rsrs...
LEO: O pior lugar que aconteceu um Swing.
Ksal Wet: Em um clube de swing na noite de Natal: não aconteceu nada!! Rsrsrs...
LEO: Uma ultima pergunta: Eu teria chance numa brincadeira a três com vocês?
Ksal Wet: Nossa busca é por casais. Para nós, e respeitamos totalmente quem tem um pensamento diferente, apenas alguém casado, que é feliz neste casamento, entende a importância de proporcionar real prazer a seu cônjuge. Entende que o outro tem suas fantasias, anseia por realizá-las, e está disposto a partilhar esta realização. É uma troca, com amor, respeito e (muito) diálogo: “ajude-me com minhas fantasias, eu ajudo-o com as suas”. Parece piegas, mas um casamento feliz é baseado em troca, em abrir mão, em proporcionar felicidade e prazer altruisticamente ao outro e não buscá-lo de forma egoísta ou pretensiosa.
Dito isto, quem sabe. Apresente-nos a Sra. Leo que adoraríamos conversar melhor...